sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PENSANDO O LIVRO NO UNIVERSO DIGITAL

O avanço e o desenvolvimento de novas tecnologias de informação e comunicação e a crescente expansão digital transformaram o cenário social, cultural, político entre outros e acarretaram mudanças em diferentes formas de pensamento sobre os processos de publicação e edição e o futuro do livro impresso. Toda essa metamorfose cultural e tecnológica influencia o modo como as pessoas buscam, desejam, obtém e recuperam a informação. As revoluções digitais ocorridas nas últimas décadas apresentam-se de forma mais acentuadas, ou seja, são mais incisivas, pois atingem uma diversidade de classes relacionadas à cultura escrita que antes, ocorriam isoladamente, e não de forma simultânea como hoje, envolvendo a estrutura técnica, textual e o próprio ato de ler. Nesse contexto, vemos o aparecimento dos livros digitais, os chamados e-books e a edição eletrônica, que não utilizam o suporte físico papel. Contudo, é necessário explanar algumas idéias registradas no artigo:

[ . . . ] a possível substituição do livro impresso e da literacia tipográfica terá certamente implicações não apenas ao nível dos suportes e modos de transmissão da informação e do conhecimento e deverá ser de novo o sintoma de transformações de transformações mais gerais nas formas de organização cultural e social. (NUNES, 1996, p. 51-52 apud FURTADO, 2003, p. 5).

A concepção dos e-books ou livros digitais é de “transportar” os textos impressos para o universo virtual/digital. Nessa transição do saber registrado para o mundo digital, nos deparamos com duas questões: para alguns, o uso das novas tecnologias nas publicações textuais serve para entender a aplicação dessas tecnologias e como estas podem contribuir ao meio social e no que trata do registro dos saberes. Contudo, vendo o livro impresso pelo aspecto de suporte informacional, temos a questão histórica, de salvaguarda do documento e da própria cultura do livro e o apego-valor-sentimento que se tem ao documento escrito. A nova realidade do livro em meio digital pode não agradar a todos, pois o acesso à informação é permitido, mas não necessariamente o suporte físico seja o mais adequado ao usuário. No artigo, alguns autores relutam com a idéia de livro impresso ser considerado livro propriamente dito. Segundo Roncaglia (2001 apud FURTADO, 2003, P. 6) “só é possível usar com legitimidade a designação livro quando nos referimos ao livro impresso”, assim como Ganascia (1998 apud FURTADO, 2003, p. 7) diz que o termo “livro eletrônico é considerado restritivo e inoportuno, pois o livro designa um suporte particular da escrita num dado momento da história [ . . . ] e inoportuno [ . . . ] pois livro significa, antes de mais o suporte da escrita”. Algumas considerações a respeito dos livros impressos são relevantes no que se refere o suporte informacional, pois estes não necessitam de dispositivos técnicos para serem lidos, são fáceis de manusear, de serem emprestados e consultados.
Os termos denominados “cultura do livro” e “nova cultura” estão ligados a palavras que definem por si só cada um desses conceitos: à cultura do livro podemos associar expressões como livro impresso, tradição tipográfica e linearidade. Já a nova cultura nos remete a tudo aquilo relacionado ao universo virtual, palavras como hipertextualidade, contexto aberto e multilinearidade.
O artigo apresenta a ideia de que o livro e leitura estão fortemente ligados ao meio social, a aspectos culturais, aos costumes e valores sociais. Neste contexto, o autor aponta que a finalidade dos e-books, ou seja, da “nova cultura”, não é a de substituir o livro impresso, mas sim de poder agregar o entendimento e conhecimento dessas novas tecnologias de forma que estas proporcionem uma maior interação social.
A questão da memória também é relevante no que diz respeito à individualidade e identidade. É necessário salientar a importância do convívio social, mantendo, desta forma, uma intercomunicação entre as pessoas.
Cabe ressaltar a questão da generalização dos documentos digitais e a digitalização dos documentos impressos de forma cada vez mais crescente. Muitos dão credibilidade exclusiva a este tipo de formato. Contudo, o formato em papel dos registros informacionais possui grande e considerável valia, pois é sabido que as novas tecnologias da informação podem apresentar falhas que são específicas dos suportes eletrônicos.
Em suma, a intenção não é de substituir o livro impresso por livros e edições digitais, mas sim apresentar novos olhares e perspectivas acerca do livro e da leitura, permitindo uma interação social com as tecnologias da chamada nova cultura.




REFERÊNCIA




FURTADO, José Afonso. O Papel e o pixel. Coimbra: [s.n], 2003. Disponível em: . Acesso em 17 set. 2010.

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