quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ciberespaços e a Preservação Digital

Desde o surgimento da escrita, passando pelos tipos móveis de Gutenberg, sempre houve uma preocupação em preservar aquilo que estava registrado, para que as ideias e o conhecimento pudessem ser transmitidos e assim, perpetuar as memórias e saberes de diferentes culturas e épocas.
Atualmente, com a vertiginosa onda dos meios digitais ou ciberespaços, a questão da preservação de documentos em meio digital é uma temática cercada de opiniões favoráveis no que diz respeito à disseminação da informação.
Primeiramente, é necessário verificar que tipo de material passará pela chamada digitalização, onde ocorrerá a migração de informações do suporte papel (original) para o meio digital. As questões que envolvem a temática da preservação digital nas Ciências da Informação são relevantes quando abordamos a preservação dos livros, dos documentos e das fotografias que não estão em condições favoráveis de circulação e manuseio pelos usuários. Alguns materiais são raros e de acesso restrito, outros sofreram agressões de agentes externos ou biológicos, o que prejudica, desta forma, o próprio material em si. Por questões de segurança e de salvaguarda do documento original, a digitalização funciona como um meio de transmitir, disseminar e disponibilizar informações em ciberespaços (ou meios digitais) a um número maior de usuários.
Devemos fazer uma análise e perceber se os materiais selecionados poderão passar pelo processo de digitalização ou não, pois o próprio processo poderá não ser adequado nas situações em que o material é mais delicado ou deteriorado. Desta forma, o manuseio e todo o processo que envolve a digitalização poderão prejudicar ainda mais a vida útil do documento.
De um lado, temos a disseminação da informação a um maior número de pessoas, por outro, cabe fazer uma avaliação e determinar os fatores que devem ser mais adequados no que tange a escolha dos materiais a serem disponibilizados nos ciberespaços e como e de que forma todo este processo deverá ser organizado e mantido em longo prazo em meio digital.
É importante ressaltar que as novas tecnologias da informação são ferramentas que só tem a agregar e auxiliar nos processos de disseminação da informação. Por meio destas, há grande interação e inclusão de usuários no universo digital e estes poderão ter maior acesso a obras e documentos, que às vezes, não se encontram disponíveis para utilização em bibliotecas e arquivos.








Mas afinal, o que são Palimpsestos?



OS PALIMPSESTOS: ESTUDOS LITERÁRIOS
A ilustração acima foi pintada sobre o texto da direita, cópia feita no século X de sete obras de um dos pais da matemática

      Primeiramente denominados códices rescripti (códices reescritos), os palimpsestos (do grego palímpsestos = riscar de novo) são obras cujos textos manuscritos (científicos e filosóficos da Antiguidade Clássica) foram apagados - para o reaproveitamento dos pergaminhos em que tinham sido escritos – a fim de receber outro manuscrito; geralmente orações ou literatura litúrgica. Esta prática era comum na Idade Média, sobretudo entre os séculos VII e XII, devido ao elevado custo do pergaminho. A princípio, a eliminação do texto era feita por meio de lavagem, mais tarde, de raspagem com pedra-pomes.
      Na Renascença, os palimpsestos começaram a ser estudados, e no século XVIII se aperfeiçoaram processos de reconstituir, por meios químicos, o manuscrito originário ou o que dele restava. Assim, vários textos antigos foram recompostos, por exemplo: a República, de Cícero, descoberto sob o palimpsesto um Comentário de Santo Agostinho aos Salmos; fragmentos de Eurípides, Plauto e outros. Às vezes, porém, o reagente químico danificava para sempre os pergaminhos.
      Um dos mais famosos palimpsestos é o de Arquimedes. Trata-se de uma cópia em 170 páginas, manuscrita em fina pelica de carneiro, da obra O Método, de Arquimedes de Siracusa, feito por um escriba bizantino do século X, e raspado no final do século XII ou princípio do século XIII para dar lugar a um livro de orações. A obra foi desmontada por um monge de Jerusalém, em 1229. Ele raspou o texto, cortou as folhas ao meio e as encadernou novamente, escrevendo orações e pintando iluminuras sobre o delicado pergaminho.
      A existência do Palimpsesto de Arquimedes era conhecida, mas o livro sumiu na confusão da I Guerra e só reapareceu em 1998, quando foi leiloado por 2,2 milhões de dólares na Christie’s de Nova York. A primeira tentativa de desvendar o manuscrito foi realizada por um pesquisador dinamarquês em 1906. Ele estudou o livro com lente de aumento e publicou uma versão incompleta com o que conseguira decifrar.
      Desta vez, o palimpsesto acaba de ser inteiramente decifrado depois de oito anos de trabalho executado por um grupo de pesquisadores convocados pelo Museu de Arte Walters, em Baltimore, nos Estados Unidos. Os cientistas consumiram quatro anos só para desmontar o livro sem danificá-lo. As páginas frágeis foram submetidas a duas técnicas de imagens.Uma delas consistia em examinar o material com raios-X especial, de modo a registrar o ferro contido na tinta usada pelo escriba do século X. Reorganizado - o resultado das técnicas - no computador, os cientistas extraíram, na íntegra, o texto perdido de sete ensaios de Arquimedes. Por derivação de sentido, entende-se também por palimpsesto toda obra derivada de uma obra anterior, por transformação ou por imitação; ou seja, o mesmo que hipertexto.


SÉRGIO, Ricardo. Os Palimpsestos: estudos literários. Disponível em: <http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/1883744>. Acesso em: 05 set. 2010.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PENSANDO O LIVRO NO UNIVERSO DIGITAL

O avanço e o desenvolvimento de novas tecnologias de informação e comunicação e a crescente expansão digital transformaram o cenário social, cultural, político entre outros e acarretaram mudanças em diferentes formas de pensamento sobre os processos de publicação e edição e o futuro do livro impresso. Toda essa metamorfose cultural e tecnológica influencia o modo como as pessoas buscam, desejam, obtém e recuperam a informação. As revoluções digitais ocorridas nas últimas décadas apresentam-se de forma mais acentuadas, ou seja, são mais incisivas, pois atingem uma diversidade de classes relacionadas à cultura escrita que antes, ocorriam isoladamente, e não de forma simultânea como hoje, envolvendo a estrutura técnica, textual e o próprio ato de ler. Nesse contexto, vemos o aparecimento dos livros digitais, os chamados e-books e a edição eletrônica, que não utilizam o suporte físico papel. Contudo, é necessário explanar algumas idéias registradas no artigo:

[ . . . ] a possível substituição do livro impresso e da literacia tipográfica terá certamente implicações não apenas ao nível dos suportes e modos de transmissão da informação e do conhecimento e deverá ser de novo o sintoma de transformações de transformações mais gerais nas formas de organização cultural e social. (NUNES, 1996, p. 51-52 apud FURTADO, 2003, p. 5).

A concepção dos e-books ou livros digitais é de “transportar” os textos impressos para o universo virtual/digital. Nessa transição do saber registrado para o mundo digital, nos deparamos com duas questões: para alguns, o uso das novas tecnologias nas publicações textuais serve para entender a aplicação dessas tecnologias e como estas podem contribuir ao meio social e no que trata do registro dos saberes. Contudo, vendo o livro impresso pelo aspecto de suporte informacional, temos a questão histórica, de salvaguarda do documento e da própria cultura do livro e o apego-valor-sentimento que se tem ao documento escrito. A nova realidade do livro em meio digital pode não agradar a todos, pois o acesso à informação é permitido, mas não necessariamente o suporte físico seja o mais adequado ao usuário. No artigo, alguns autores relutam com a idéia de livro impresso ser considerado livro propriamente dito. Segundo Roncaglia (2001 apud FURTADO, 2003, P. 6) “só é possível usar com legitimidade a designação livro quando nos referimos ao livro impresso”, assim como Ganascia (1998 apud FURTADO, 2003, p. 7) diz que o termo “livro eletrônico é considerado restritivo e inoportuno, pois o livro designa um suporte particular da escrita num dado momento da história [ . . . ] e inoportuno [ . . . ] pois livro significa, antes de mais o suporte da escrita”. Algumas considerações a respeito dos livros impressos são relevantes no que se refere o suporte informacional, pois estes não necessitam de dispositivos técnicos para serem lidos, são fáceis de manusear, de serem emprestados e consultados.
Os termos denominados “cultura do livro” e “nova cultura” estão ligados a palavras que definem por si só cada um desses conceitos: à cultura do livro podemos associar expressões como livro impresso, tradição tipográfica e linearidade. Já a nova cultura nos remete a tudo aquilo relacionado ao universo virtual, palavras como hipertextualidade, contexto aberto e multilinearidade.
O artigo apresenta a ideia de que o livro e leitura estão fortemente ligados ao meio social, a aspectos culturais, aos costumes e valores sociais. Neste contexto, o autor aponta que a finalidade dos e-books, ou seja, da “nova cultura”, não é a de substituir o livro impresso, mas sim de poder agregar o entendimento e conhecimento dessas novas tecnologias de forma que estas proporcionem uma maior interação social.
A questão da memória também é relevante no que diz respeito à individualidade e identidade. É necessário salientar a importância do convívio social, mantendo, desta forma, uma intercomunicação entre as pessoas.
Cabe ressaltar a questão da generalização dos documentos digitais e a digitalização dos documentos impressos de forma cada vez mais crescente. Muitos dão credibilidade exclusiva a este tipo de formato. Contudo, o formato em papel dos registros informacionais possui grande e considerável valia, pois é sabido que as novas tecnologias da informação podem apresentar falhas que são específicas dos suportes eletrônicos.
Em suma, a intenção não é de substituir o livro impresso por livros e edições digitais, mas sim apresentar novos olhares e perspectivas acerca do livro e da leitura, permitindo uma interação social com as tecnologias da chamada nova cultura.




REFERÊNCIA




FURTADO, José Afonso. O Papel e o pixel. Coimbra: [s.n], 2003. Disponível em: . Acesso em 17 set. 2010.